Quando pensava que, agora que tu nascias, deixaria de ter
sonhos ou desejos a alcançar eis que me mostras que afinal tenho ainda tanto para
concretizar.
O mundo, esse, agora gira à tua volta. Mostras-me o quão
poderoso és, ainda que tão minúsculo e inofensivo. Tudo passa a segundo plano,
menos tu. É como se uma nova realidade se abatesse na minha vida. Saio, finalmente,
da caverna de Platão e desprendo-me do meu próprio egocentrismo.
Constato, para minha grande alegria, que afinal ser mãe não significa
que nós acabamos, muito pelo contrário. Tu és a minha imortalização, tu és tudo
aquilo que eu sempre quis… apesar de o saber apenas nesse momento.
Contigo aprendo o significado de clichés que sempre ouvi mas que, até àquele dia, não compreendia o verdadeiro sentido. Contigo apreendo o que é a coragem, o que é o altruísmo, o que é dar tudo mesmo que não se tenha nada em troca. E desconfio que, até ao dia que o último suspiro sair dos meus lábios, irei continuar a descobrir o que é amar sempre mais e mais.
E um ano passado, não posso deixar de pensar se estarei à altura de tudo o que me dás. Assusta-me pensar na responsabilidade que tenho em mãos. Porque em troca do que me dás, eu devo dar-te a chave da felicidade. Devo ensinar-te a ser feliz, a fazer os outros felizes, a viver a tua vida com plenitude em todos os aspetos e não só a passares por ela ao lado, por caminhos que nunca te farão verdadeiramente feliz.
E pergunto-me todos os dias, todos os instantes, se conseguirei fazer-te encontrar esse caminho. E só posso prometer-te que esse é, e sempre será o meu objetivo de vida.
Naquele dia em que nasceste, tudo mudou. Naquele dia esqueci uma vida, para ganhar uma nova. Porque, Rafael, tu és e sempre serás o meu anjo…
Bom Apetite, Su




































