Pão Integral de cebola caramelizada e Roquefort... e um Arabesque perfeito

Fiquei agradavelmente surpreendida ao constatar que ali se levava a arte a sério. Os collants cor de rosa, o maillot preto, o coque perfeitamente posicionado no topo da cabeça. E claro, a belíssima meia ponta que é a base de qualquer bailarina.
Posicionei-me na barra, nervosa e entusiasmada, juntamente com as restantes bailarinas e preparei-me para falhar todos os passos.
A música começou e automaticamente senti borboletas no estômago. Sim, o mesmo tipo de borboletas que sentimos quando nos apaixonamos. O mesmo tipo de borboletas que parecem esvoaçar mais energicamente quando ele se aproxima, vagarosamente, para nos beijar pela primeira vez. Nunca esquecemos essa sensação…



Os meus olhos seguiam, avidamente, os passos da professora e da bailarina à minha frente. Deixei-me levar e, longe da perfeição, realizei as cinco posições dos pés. Um plié e um grand plié, os braços perfeitamente alinhados e a cabeça altiva e tudo começava a fazer sentido. Fluí, tentando acompanhar as bailarinas, e senti-me eu própria uma bailarina… pela primeira vez nada vida, estava a dançar ballet.

E eis que a apoteose se dá quando, após nos pedir um arabesque, a professora se acerca de mim e ao alinhar-me minuciosamente o braço me diz:

“Perfeito… um arabesque lindo!”

Tentei em vão não sorrir, mas foi nesse momento que soube que agora já não poderia voltar atrás…


Ainda sorrio cada vez que me lembro daquele maravilhoso arabesque. E foi a sorrir que fiz esta receita, ainda inspirada no tema dos Daring Bakers. Foi a sorrir que me inspirei para as fotografias… e foi a sorrir que o comi.

Esta é uma versão salgada dos Quick Breads, é bastante forte de sabor mas igualmente deliciosa. Um pouco maçuda devido ao uso de apenas farinha integral, mas que resultou bem tendo em conta que o objetivo era um pão e não um bolo.


O ballet torna-se assim parte da minha vida e, para minha grande surpresa – que nunca fui grande coisa em desporto nenhum – parece que tenho um talento natural para esta dança.

E palpita-me que, agora, irei cozinhar com muito mais sorrisos no rosto…


Ingredientes
  •  2 chávenas de Farinha Integral
  • 1 c. sopa de fermento
  • 1 ovo + 2 claras
  • 3/4 chávena leite magro
  • 1/2 chávena de Azeite
  • Agrião q.b.
  • 1 cebola
  • Queijo Roquefort
  • Sal
  • Pimenta
  • Sementes de Abóbora
  • creme vegetal q.b.
Preparação

 1. Pré-aquecer o forno a 180º

 2. Cortar a cebola em rodelas fininhas e levar ao lume com uma noz de creme vegetal. Salpicar com sal e deixar cozinhar em lume médio-baixo durante cerca de 10 minutos de forma a caramelizar a cebola.

 3. Juntar o agrião e deixar murchar um pouco.

 4. Numa taça juntar a farinha, o fermento, a pimenta e uma pitada de sal. Juntar as sementes de abóbora e envolver bem.

 5. Numa outra taça juntar o ovo e claras, o leite  e o azeite. Mexer com uma vara de arames de forma a misturar bem.

 6. Juntar os ingredientes liquidos aos secos e envolver delicamente com o cuidado de não trabalhar demasiado a massa. Juntar o agrião e o queijo esfarelado e envolver novamente.

 7. Deitar a massa numa forma préviamente untada  e levar ao forno cerca de 40 minutos.

 8. Deixar esfriar na forma durante cerca de 15 minutos e por fim desenformar e deixar arrefecer completamente numa rede.

 Bom Apetite, Su

Daring Bakers - Quick Breads... ou Pães Rápidos de 1001 e uma formas

É com enorme prazer que me inicio nos Daring Bakers.
Acho este tipo de iniciativas simplesmente fantásticas e, após acompanhar vários desafios em blogs que considero de grande qualidade, decidi abraçar este desafio. Não sei se conseguirei estar à altura… mas tentarei.

Scroll Down for the English version of the recipe



 The Daring Bakers’ February 2012 host was – Lis! Lisa stepped in last minute and challenged us to create a quick bread we could call our own. She supplied us with a base recipe and shared some recipes she loves from various websites and encouraged us to build upon them and create new flavor profiles


O tema para este mês foram os Quick Breads, ou Pães Rápidos. A anfitriã deste mês é uma das cofundadoras dos Daring Bakers, a Lis e devo dizer que fiquei impressionada com o trabalho feito à priori para ser dado aos participantes todas as dicas e truques  necessários para efetuar a receita em questão.
Os Pães Rápidos são, como o nome indica, um tipo de pão rápido de fazer que não necessita que a massa seja amassada e nem de tempo de levedura. Isto porque a levedura neste tipo de pães é tipicamente fermento em pó ou bicarbonato de soda que, uma vez combinado com a umidade, inicia o processo de crescimento de imediato.  
Os ovos também podem ser usados para fermentar este tipo de pães, e este género inclui a maioria dos muffins, biscoitos e uma variedade de pães doces e salgados.

 O desafio teve apenas 3 regras:
- Não usar fermento fresco
- Não demorar mais do que 1h30 na preparação e cozedura
- Apenas eram permitidos pães ou muffins/popovers

Aparte disso, a imaginação era o limite e os ingredientes a usar foram deixados totalmente ao nosso critério.



Os pães rápidos podem ser feitos usando os seguintes métodos:

- Muffin ou o método das duas taças – os ingredientes líquidos e os secos são mantidos separados sendo, posteriormente, misturados rapidamente adicionando os líquidos aos secos e envolvendo ambos com apenas alguns movimentos. A ideia é não misturar demasiado, deixando a massa com alguns grumos de forma a não desenvolver muito o glúten o que manterá o pão macio. Uma massa demasiado misturada origina pães rápidos mais maçudos.

Técnica Cremosa – a manteiga e o açúcar são batidos juntos até se obter uma massa fofa e homogénea. Seguidamente os ovos e o aroma líquidos são adicionados e finalmente os ingredientes secos e restantes líquidos. Este método é o melhor para bolos uma vez que são criados várias bolsas de ar dentro da massa de forma a obter-se um resultado fofo e leve.

- Método do corte – a gordura gelada é cortada para a farinha o que resulta numa textura mais folhada já que a gordura derrete no forno. Este é o método ideal para biscoitos, scones ou bases de tarte.



A minha sugestão foi o produto da combinação de várias receitas que fui descobrindo e devo dizer que o resultado final é simplesmente delicioso. Este é um pão - quase bolo na verdade – pobre em gorduras mas repleto de sabor. O crocante das nozes e a cremosidade do recheio conjugam-se de forma a criar um misto de experiências sensoriais suaves mas surpreendentes.
Usei o método das duas taças obtendo, como podem verificar, uma textura mais esfarelada semelhante a um pão.


Pão de Abóbora com recheio de Maplle Cream Cheese (Baixo em Gorduras)


Ingredientes

Recheio
  • 200 gr de queijo creme Light à temperatura ambiente
  • 40 gr Açucar granulado
  • 1 ovo grande
  • 1 c. sopa de leite magro 
  • 1 c. chá de Mapple Syrup

Pão
  • 1 chávenas de Farinha
  • 1 chávena de Farinha Integral
  • 1/2 chávenas de açucar amarelo
  • 1/3 chávena de açucar granulado
  • 1 c. chá bicarbonato de sódio
  • 1 c. chá de fermento em pó
  • 1 c. chá sal
  • 1 c. chá de noz moscada
  • 1 c. chá canela
  • 200 gr puré de abóbora
  • 1 c. sopa óleo
  • 1 ovo 
  • 2 claras
  • 1/3 chávena de mapple syrup (Xarope de Ácer)
  • 1 chávena de nozes picadas
Preparação

1. Pré-aquecer o forno a 180º. Colocar uma grelha no nível central do forno. Forrar uma forma tipo bolo inglês com papel vegetal e reservar.

2. Colocar os ingedientes do recheio num robôt (Bimby) de cozinha e bater até se obter uma mistura cremosa. Reservar.

3.Numa taça grande misturar as farinhas, os açucares, o bicarbonato de sódio, o fermento, o sal e as especiarias.

4. Numa outra taça misturar o puré de abóbora, o mapple syrup e o óleo.

5. Juntar os liquidos aos ingredientes secos e, usando uma espátula, envolver delicamente. Juntar as nozes e envolver mais um pouco.

6. Deitar  metade da massa na forma e por cima deitar o recheio tentando que permaneça no centro. Cobrir com a restante massa. Levar ao forno por cerca de 1h a 1h15m. Está pronto quando se inserir um palito no centro e o mesmo saia seco e limpo.
Remover do forno e deixar arrefecer na forma cerca de 15 minutos, depois desenformar para uma rede e deixar esfriar completamente.




In English

Low Fat Pumpkin Bread with Mapple Cream Cheese filling


Ingredients
Filling
  • 200 gr light cream cheese air temperature
  • 40 gr granulated sugar
  • 1 large egg
  • 1 tblsp skim milk
  • 1 tsp Mapple Syrup
Batter
  • 1 cup all purpose flour
  • 1 cup  whole wheat flour
  • 1/2 cup brown sugar
  • 1/3 cup granulated sugar
  • 1 tsp baking soda
  • 1 tsp baking powder
  • 1 tsp salt
  • 1 tsp nutmeg
  • 1 tsp cinnamon
  • 200 gr pumpkin puree
  • 1 tblsp vegetable oil
  • 1 egg
  • 2 egg yolks
  • 1/3 cup mapple syrup
  • 1 cup chopped walnuts 
Method

1.  Preheat oven to 180 degrees C.  Place a rack in the center of the oven.  Line a loaf pan with parchment paper and set aside.

2. Place the filling ingredients in a food processor and mix to obtain a creamy misture. Set aside.

3. In a large bowl, whisk together flours, sugars, baking soda, baking powder, salt and spices.

4. In a medium bowl, carefully whisk together pumpkin puree, oil and maple syrup.

5. Add the wet ingredients to the dry ingredients and use a spatula to fold all of the ingredients together. Fold in the chopped walnuts.

6. Place half the dough in the pan and, on top of that, place the cream cheese misture in the center. Cover with the remaining dough. Bake for 1 hour to 1 hour and 15 minutes, or until a skewer inserted in the center comes out clean.  Remove from the oven.  Let rest in the pan for 15 minutes, then invert onto a cooling rack.

Bom Apetite, Su

Granola de Azeite, Amêndoas e Arandos Vermelhos... sem passas

Todos temos as nossas pequenas peculiaridades. Aqueles detalhes curiosos que nos tornam… bem… nós próprios!
Hábitos ou manias que fazem de nós aquilo que somos e que, por mais estranhas que sejam, são parte integrante da nossa personalidade.



Dou por mim, não raras vezes, a aperceber-me das minhas próprias pancadas invulgaridades e a perguntar-me em que ponto da minha vida as terei começado a fazer. É que algumas são realmente curiosas.  
Coisas como enrolar os dedos dos pés sempre que estou sentada e descalça ou devorar as minhas próprias bochechas quando estou concentrada ou ansiosa. Ou ainda esticar o dedo mindinho – para grande horror do meu marido – quando estou a beber de um copo ou chávena.



 
E depois há aquelas que são apenas rotinas quase compulsivas. Nunca termino uma embalagem de creme, as chávenas são arrumadas de uma forma muito especifica e, religiosamente, calço-me sempre antes de vestir a parte superior da toalete.



E, invariavelmente, desperdiço sempre uns largos minutos a escolher, de forma meticulosa, todas as pequenas passas de uva que estejam presentes no meu muesli e/ou granola. Disseram-me um dia que fazer isso era o mesmo que comer pizza sem queijo. Talvez seja…



Não foi, portanto, difícil de chegar à conclusão que o ideal seria fazer a minha própria granola sem aqueles seres escuros e demasiado doces que tanto me atormentam.
E em vez de passas de uva demasiado secas, uns arandos vermelhos secos, belos e deliciosos  colmatam uma granola perfeita que me desonera  de, pelo menos, uma das minhas muitas manias.


Ingredientes
  • 2 chávenas de Flocos de Aveia Grossos
  • 1 c. chá de canela
  • 1 pitada de sal
  • 2 c. de sopa de Azeite
  • 1 c. sopa de óleo de amendoim (ou outro vegetal)
  • 1/4 chávena de mel
  • 1/4 chávena de açucar mascavado
  • 1 c. chá de aroma de baunilha
  • 1 punhado de amêndoas inteiras (com ou sem pele)
  • 1 punhado de nozes partidas grosseiramente
  • 1 punhado de arandos vermelhos secos (cranberries)

Preparação

1.  Pré-aquecer o forno a 160º. Forrar um tabuleiro de forno baixinho com papel vegetal.

2. Numa taça grande misturar os flocos de aveia, o sal e a canela. Numa outra taça misturar o óleo, o azeite, o mel, o açucar e a baunilha até se obter uma mistura homogénea.

3. Deitar os liquidos sobre a aveia e, com as mãos, incorporar bem,

4. Dispor a mistura sobre o tabuleiro espalhando bem, deixando alguns montinhos de forma a obter texturas diferentes. Levar ao forno por cerca de 10 minutos.

5. Retirar do forno, virar com uma espátula e espalhar por cima as nozes e as amêndoas. Levar mais 10 minutos ao forno.

6. Deixar arrefecer, juntar os arandos vermelhos e colocar num recepiente hermético. Dura cerca de 1 semana.


 Bom Apetite, Su

Lasanha Verde de Acelgas... e sonhos de infância

“Mãe, mãe… olha como é bonito!” – gritava a pequenita, embevecida ao contemplar aquela figura longilínea que rodava e deslizava com o seu tutu, como se aquilo fosse a coisa mais fácil do mundo. A beleza da cordialidade dos movimentos… a elegância de uma perna a elevar-se lentamente… o brilho cativante do cetim das sapatilhas da bailarina…
“Sim, o ballet é muito bonito. Gostavas de fazer, Susana?”
“Ai… era um sonho…” – saiu-lhe num suspiro, murmurado e quase inaudível, mas que lhe ficaria gravado na memória para o resto da vida. 

Por diversos motivos, esse foi um sonho que nunca cheguei a concretizar mas que sempre permaneceu, ainda que num espaço recôndito da minha mente, guardado e latente. Por vezes penso no que poderia ter sido, tivesse eu tido a oportunidade de aprender e praticar ballet.
Mas os anos passaram, a vida orientou-me noutro sentido, e o ballet ficou selado como um mero sonho de menina.



Curiosamente já algumas pessoas me perguntaram, ocasionalmente, se alguma vez pratiquei ballet. Outras dizem-me que tenho postura de bailarina e, muito recentemente, uma pessoa que praticou durante anos essa dança clássica, me disse que tenho a estrutura corporal e elegância ideal para praticar essa modalidade. (e nem calculam como fiquei derretida)
Mas o ballet é uma arte que deve ser iniciada em criança, para que se torne parte integrante da pessoa tal como a própria personalidade. Não faz sentido que uma mulher, com uma profissão algo exigente, casada e com filhos se decida , no apogeu  da sua vida, começar a aprender uma dança clássica com uma dificuldade e exigência muito próprias e tão peculiares.


Mas… mas…


Devo mesmo abdicar e enterrar as ideias de criança num baú selado? Deveria… talvez…
Contudo isto fez-me pensar. Estou a entrar nos 30. Concretizei muitos objetivos, construí muitas coisas e renunciei a outras tantas. A verdade é que sou feliz, não o posso negar.
Mas isso não invalida que não possa perseguir algo de que gosto. Não almejo ser uma bailarina de Bolshoi, mas porque não vivenciar a arte que tanto admirei em criança?



E é por isso que, prestes a entrar nos 30, me decido a não me resignar mas antes a oferecer um grande presente a mim própria…

…e o que melhor do que um sonho de infância?



E sonhos de infância são também as maravilhosas lasanhas. Esta é cremosa como um gelado, verde como as florestas encantadas e delicada como qualquer história de encantar.  




Ingredientes
Frango
  • 2 peitos de frango
  • 2 dentes de alho
  • 1 c. sopa de colorau
  • 1 c. sopa polpa de tomate
  • 1 folha de louro

Moho Béchamel
  • 40 gr de creme vegetal (usei Alpro Soya)
  • 30 gr Farinha
  • 500 ml de leite magro
  • Sal
  • Pimenta
  • Noz Moscada
Lasanha
  • folhas de massa fresca de espinafres
  • 5/6 folhas de Acelgas (preferencialmente biológicas)
  • 1 punhado de nozes grosseiramente picadas
  • Cogumelos frescos laminados (preferencialmente biológicos) a gosto
  • sal
  • pimenta
  • queijo mozarela ralado Light
  • Azeite q.b.

Preparação

1. Numa panela coloque água, a folha de louro, os alhos, o colorau e a polpa de tomate e tempere com sal. Quando a água ferver, adicionar o frango e deixar cozer. Depois de cozido deixar arrefecer um pouco e então desfiar. Reservar

2. No copo da bimby colocar os ingredientes do molho bechamel e programar 8 minutos na velocidade 7, Temp 90º. Reservar.

3. Mergulhar as placas de massa em água a ferver durante alguns minutos. Untar um tabuleiro de forno com creme vegetal e pré-aquecer o forno a 200º

4. No copo da bimby colocar um fio de azeite, as acelgas cortadas em juliana, os cogumelos e as nozes e deixar saltear cerca de 10 minutos, colher inversa, Temp 100º. No final juntar ao frango desfiado e envolver bem.

5. Montar a lasanha colocando placas de massa e por cima o preparado de frango e acelgas. Cobrir com um pouco de molho e voltar a colocar placas de massa por cima. Repetir até que o recheio acabe e finalizar com uma camada de massa. Cobrir com um resto de molho e com o queijo mozarella ralado. Levar ao forno cerca de 20 a 30 minutos até que o queijo derreta e toste ligeiramente.

*Fotografia de ballet daqui

Bom Apetite, Su

Corações de chocolate servidos em Pijama

{scroll down for english version}

Queria chegar a casa, colocar o avental e preparar um jantar fabuloso. Uma entrada requintada, um prato principal apaixonante e uma sobremesa bem decadente.
Queria colocar uma mesa romântica e bem aprimorada, acender umas velas e colocar uma música de fundo suave e relaxante. Depois, e já com tudo bem organizado, vestiria um dos vestidos sexys que sei que gostas e colocaria o teu perfume predileto. Receber-te-ia assim... bela e sensual e com um beijo intenso, longo e demorado.



Tu abririas a garrafa de vinho cabernet sauvignon que eu havia comprado especialmente para esta noite enquanto eu levava a tua mala do portátil e o sobretudo para o escritório.
E o Rafinha?” – perguntar-me-ias, claro está, como bom pai que és. Ficou com os avós e volta amanhã, seria a minha resposta com um piscar de olhos maroto ao espreitar pela porta do salão.



Seria uma noite fabulosa, romântica e sem qualquer contratempo. Exatamente como eu idealizara para um dia como o de São Valentim.



Eu queria sim. Mas, por motivos maiores, não consegui. Pelo que terás de te contentar com umas bolachinhas feitas especialmente a pensar em ti. Sem farinha integral artimanhas ou alfarroba batotas mas com muita decadência e, acima de tudo, muito amor.



E quanto ao jantar… bom, não consegui hoje, mas quem sabe um dia destes…

Ingredientes:
  • 250gr Farinha
  • 180gr creme vegetal
  • 120gr açucar em pó
  • 50gr cacao em pó
  • 1 gema de ovo
  • 1 c. chá de água
  • 100gr chocolate de leite
Preparação

1.  Colocar todos os ingredientes no copo, à exceção da gema e da água, e programar 30 segundos na velocidade 5. Juntar a gema e a água e amassar durante mais alguns segundos na vel 5

2. Formar uma bola com a massa e envolver em pelicula aderente. Levar ao frigorifico durante cerca de 30 minutos.

3. Pré-aquecer o forno a 180º

4. Estender a massa com o rolo e cortar as bolachas no formato desejado. Levar ao forno cerca de 30 minutos. Retirar e deixar arrefecer.

5. Derreter o chocolate no microondas, mexendo ocasionalmente. Mergulhar as bolachas no chocolate e colocar sob uma folha de papel vegetal até que o chocolate solidifique.

6Servir, com muita ternura e preferencialmente de pijama, a um namorado/marido compreensivo e carinhoso.

 Bom apetite, Su


1 Ano...1 Desafio

E, receita atrás de receita, momento atrás de momento… eis que me deparo com 1 ano volvido.

Um ano deveras gratificante em que muitos objetivos e sonhos se foram, pouco a pouco, concretizando. Muitas receitas se criaram, muitas se partilharam e sem dúvida alguma que a maior e melhor de todas foi o pequeno - e no entanto tão grande – ser que se apoderou de nós e da nossa vida. 

Um ano repleto de experiências estimulantes, vivências novas e muita partilha. Uma união muito celebrada, as festas a dois, a pares e a muitos e a certeza de que a ordem é seguir em frente.


Não poderia deixar de celebrar o primeiro aniversário do Suvelle Cuisine , já que este pequeno projeto se tem revelado para mim como um verdadeiro alento e revitalizante de energias. 

E por essa razão gostava de lançar um desafio a todos aqueles que por aqui passam neste recanto. As regras são muito simples – que eu não sou nada uma moça complicada – e baseiam-se apenas na filosofia desta casa:

- Escolher/Elaborar uma receita à escolha e convertê-la numa versão saudável (usando ingredientes biológicos, de baixo teor de gordura e/ou açucar, integrais, etc.)

- Postar essa receita no seu próprio blog fazendo referência ao desafio ou enviar um email para susana.itm@gmail.com com a receita e fotos para que a mesma seja divulgada aqui

- Data limite de participação até ao dia 11 de Março.


Bom Apetite, Su

Panini de Abóbora Assada e Mozarella

A sério?!?!?!
Panini – que é como quem diz Tosta - com abóbora???? A-B-Ó-B-O-R-A…????????

Mas esta moça estará boa da cabeça? Quer dizer, com massa grande ou massa pequena, em lasanha, sopa ou com peixe… até mesmo em sobremesa, numa torta ou para o pequeno almoço… ainda se aceita! Mas dentro de duas fatias de pão??!
Dentro do pão coloca-se queijo ou fiambre… quanto muito umas rodelas de tomate ou umas folhitas de alface.  



Na realidade, dentro da minha cozinha quase tudo é permitido, e quando se refere à abóbora o céu é o limite. Adoro-a de todas as formas e feitios e tudo é motivo para converter uma bela fatia deste fruto (já não bastava o tomate ser um fruto… agora a abóbora também é?!) numa qualquer divagação saborosa e nutricionalmente riquíssima.


E deixem que vos diga que foi das melhores, senão mesmo a melhor, tosta Panini que já comi até hoje. A suavidade e doçura da abóbora interligada com a cremosidade e frescura da mozarela fresca dentro de duas belas fatias de pão crocante culminaram numa ode à libertação da imaginação.



E depois de tal experiência, mal posso esperar para conceber o próximo devaneio para tal fruto estonteante.

 
Ingredientes

  • 2 Fatias de Pão tipo Alentejano
  • 1 Mozarella fresca
  • Abóbora q.b.
  • Sal
  • Pimenta
  • Tomilho
  • Azeite q.b.
  • Folhas de Mangericão
Preparação

1.  Cortar a abóbora em pequenos pedaços finos e dispor num tabuleiro de forno. Regar com um fio de azeite e temperar com o sal, pimenta e tomilho. Envolver bem e arranjar numa única camada. Levar ao forno pré-aquecido a 200º durante cerca de 20 a 30 minutos até que a abóbora esteja amolecida, mas não desfeita.

2. Barrar o interior das fatias de pão com o azeite, colocar a mozarella partida em fatias, os pedaços de abóbora e as folhas de mangericão cortadas em juliana. Fechar e levar a tostar numa tostadeira aquecida em ponto médio-alto. Servir de imediato.

Bom Apetite, Su

Galette Integral de Vegetais Assados, Feta e Prosciutto... em tempos modernos

Numa destas noites dei-me conta do quão privilegiados somos. Todos nós, vocês inclusive.
O vento soprava, impreterivelmente, lá fora e eu aconcheguei-me um pouco mais dentro da minha cama quentinha. Pensei como era parvo andar chateada pelo facto de a máquina de lavar loiça ter avariado quando, na realidade, tinha um teto para me abrigar nestas noites tão frias. Pensei de imediato no meu filhote que estava quente e aconchegado no quarto ao lado.

Imaginei uma mulher de vestes de serapilheira, numa casa de madeira escura e antiga com um bebé nos braços, tentando aquecê-lo e lutando contra a fome e o frio. Que visão triste…
Lamentei por todas essas mães que viveram assim no passado – e por todas aquelas que ainda hoje não conseguem proteger os seus bebés.




Dei graças por viver na era em que vivo. Apesar do que continuamente ouvimos acerca do estado do país e da sociedade, a verdade é que a qualidade de vida de hoje em dia é algo pelo qual devemos sentir-nos felizes e agradecidos.
Temos casas isoladas e aquecedores para nos proteger do fio, máquinas que nos lavam a roupa e a loiça, água quente diretamente da torneira para tomar banho quentinhos (ou para lavar a loiça quando a máquina avaria), carros que nos transportam abrigados e confortáveis, micro-ondas e bimbys que nos facilitam a vida na cozinha, fraldas descartáveis e computadores que nos permitem fazer tudo sem sair de casa.
E ainda nos queixamos. A verdade é que estamos tão habituados a um grau de conforto sem o qual já não conseguimos, sequer conceber, viver sem.  Por mim falo.


E apesar de, por várias vezes, desejar uma daquelas casas antigas com fornos a lenha rústicos, dou por mim a venerar o meu forno elétrico onde posso escolher a temperatura e definir o tempo. E é desse forno que saem tantas receitas modernas em menos de nada… mesmo ali, dentro da minha cozinha.
Mas, e apesar de toda a modernidade, nada impede de ocasionalmente fazer algo rústico como uma galette de vegetais assados.


Um resultado rústico… com todas as vantagens dos tempos modernos.


Ingredientes

Massa
  • 1 chávena de Farinha
  • 1 1/4 chávena de Farinha Integral
  • 2 c. chá de fermento em pó
  • 1 c. chá de açucar
  • 1/2 c. chá de sal
  • 1/2 chávena de água
  • 1/4 chávena de Azeite

Recheio
  • 1 beterraba crua
  • 2 cenouras médias
  • 1 fatia generosa de abóbora
  • Queijo Feta a gosto
  • 2 fatias de presunto
  • Pimenta
  • Tomilho
  • Sal
  • 1 fio de Azeite

Preparação

1.  Colocar as farinhas, o fermento, açucar e sal no copo e pulsar o turbo algumas vezes para combinar. Juntar a água e o azeite e pulsar mais algumas vezes de forma a misturar bem. Amassar um pouco a massa à mão e juntar mais um pouco de água se a massa estiver seca. Formar um disco, envolver em pelicula aderente e levar ao frigorifico no minimo 30 minutos.

2. Pré-aquecer o forno a 200º

3. Num tabuleiro de forno coberto com papel vegetal, colocar as cenouras em rodelas, a abóbora em quadrados e a beterraba em quartos, regar com o fio de azeite e polvilhar com o tomilho, pimenta e sal. Envolver bem e dispor numa única camada. Levar a assar por cerca de 30 a 40 minutos, tendo em atenção os pedaços mais pequenos e se necessário remover as cenouras e abóbora antes do final do tempo.

4. Estender a massa, numa superficie enfarinhada, num circulo. Com a ajuda do rolo, enrolar a massa no mesmo e desenrolar sobre o tabuleiro onde irá ao forno.

5. Dispor os vegetais assados - a beterrada cortada em pedaços - por cima deixando uma margem de cerca de 5 cm em toda a volta. Colocar por cima o presunto partido grosseiramente em pedaços. Fechar a massa e levar ao forno cerca de 30 a 35 minutos. A 10 minutos do final, colocar o queijo esfarelado por cima.

 
Bom Apetite, Su

Linguine ao Pesto de Agrião... uma lealdade naturalmente boa.

Sou uma rapariga de costumes e hábitos. E quando algo (ou alguém) me cai nas boas graças mantenho-me fiel às minhas seleções, algo que me é característico em diversas facetas da minha vida.

Sou fiel, até à morte, às minhas saias lápis (ou pencilskirts) abaixo do joelho e aos meus saltos muito altos, aos meus vestidos de verão e àquela marca de collants que uso nos dias frios. Sou fiel ao lugar onde estaciono o carro diariamente, à meia de leite morna e escura de máquina, aos meus livros de bolso e ao pastel da nata quentinho dos quiosques da Sical.



A minha lealdade recai, de igual forma, nos iogurtes gregos da Fage Total 0%, na Granola da Lizzy e nos cremes vegetais da Alpro Soya. Os Brunchs fora de casa só podem ser no Delidelux e os pequenos almoços restringem-se à pastelaria do costume ou ao Eric Kayser.



Já as refeições rápidas nos dias de trabalho são, invariavelmente e indiscutivelmente, no saudável e delicioso Go Natural. E dada a minha devoção por esta cadeia de restaurantes não poderia deixar de ter o fabuloso livro de receitas que a mesma lançou.




Este prato pode ser encontrado, frequentemente, em qualquer Go Natural mas a verdade é que há já muito tempo tinha vontade de reproduzir o mesmo em casa. Devo dizer que não fiquei desiludida e inclusive - atrevo-me mesmo a dizer - consegui alcançar a perfeição no molho pesto de agrião que é, de longe, o meu pesto predileto.


E numa sociedade onde nos é pedido, regularmente, para mudar a cada instante da nossa vida, sabe cada vez melhor termos devoções, rotinas e lealismos…  


Ingredientes
  • 1 molho de agriões preferencialmente biológicos
  • 1/4 chávena de azeite
  • 1 dente de alho
  • 40 gr de Queijo da Ilha (ou parmesão) + algum para guarnecer
  • Sumo de 1 limão
  • Linguine q.b.
  • 10 tomates cherry
  • Miolo de camarão q.b.
  • Sal
  • Pimenta
  • Oregãos
  • Azeite

Preparação

1.  Cortar os tomates em metade e dispor num tabuleiro de forno com as faces cortadas voltades para cima. Regar com um fio de azeite e salpicar com sal e oregãos. Levar ao forno pré-aquecido a 150º durante 40 minutos a 1 hora dependendo do quão assados se pretende que fiquem.

2. No copo da bimby colocar o os agriões, o azeite, o sumo de limão, o dente de alho e o queijo. Triturar bem na velocidade 5-6. Se necessário juntar um pouco de água para ficar menos espesso.

3. Num tabuleiro de forno colocar os camarões, regar com um fio de azeite e temperar de sal e pimenta. Envolver bem e dispor numa única camada. Levar ao forno a 220º até que fiquem cozinhados.

4. Cozer a massa al dente de acordo com as instruções da embalagem. No final escorrer a água e juntar o molho pesto, os tomates e os camarões. Levar ao lume médio e envolver bem. Servir de imediato com queijo ralado por cima.

Bom Apetite, Su
09 10