As lições de vida e humanidade surgem quando menos
esperamos.
Em tempos de crise em que muitas pessoas procuram resistir aos
preços elevados, à falta de emprego e até mesmo à depressão em que a sociedade
parece estar a mergulhar, ainda há quem nos ensine que não devemos e nem tão
pouco podemos pensar apenas no nosso próprio umbigo.
Confesso que hoje em dia já me tornei um pouco mais imune às
pessoas que nos surgem a cada esquina a pedir esmola. Confesso que por vezes não dou simplesmente
porque não tenho dinheiro, outras não dou apenas porque acho – ou prefiro
acreditar que assim é como forma de desculpa para o meu próprio egocentrismo –
que aquela esmola poderá ser mal usada.
E ontem, parada num semáforo, vejo um senhor com um ramo de cravos na mão. O que me despertou de imediato a atenção foi a degradação das suas roupas mas, para minha vergonha, não pensei logo em dar-lhe qualquer coisa.
E eis que vejo ele acercar-se de um camião. O motorista estende a mão com um cigarro, que o senhor dos cravos aceita de imediato, e seguidamente volta a estender mas desta vez com moedas. O senhor dos cravos retira uma das suas belíssimas flores e estende-a ao camionista, mas este recusa.
Foi como que instantânea, a minha vergonha e sentimento de
insignificância. Ali estava alguém que muito provavelmente não teria as mesmas
facilidades que eu, que certamente lutava para manter o emprego nos dias que
correm e que muito provavelmente não receberia nem um terço do meu ordenado. Ainda
assim não hesitou em oferecer aquilo que podia. Um cigarro e uma ou duas
moedas. Fique com o cravo para vender…
ainda lhe disse nas entrelinhas.
Sim, chamei o senhor dos cravos e dei-lhe as poucas moedas
que tinha na carteira. Também não aceitei o cravo.
E só lamento ter precisado de assistir a uma ação desta
grandiosidade para, eu mesma, agir de forma igual. Uma lição de vida que farei
por não esquecer…
E foi assim, um pouco mais humilde, que fui para casa fazer
este risoto simples mas tão bonito e colorido. Um risoto com sabor a terra e a
tentação. Os sabores são suaves e invulgares em combinações improváveis como a
maçã, o brie e a beterraba mas que funcionaram de forma simplesmente genial. E
assim brindo a Mané pelo seu aniversário do Bolo da Tia Rosa com os desejos de
Parabéns e de uma vida repleta de lições e aprendizagem.
Ingredientes
- 11/2 chávena de puré de beterraba
- 600 ml caldo de Legumes caseiro
- Arroz Arborio q.b.
- Creme vegetal q.b.
- 1 cebola pequenina picada
- 1 c. sopa de vinho branco
- Tomilho
- 40 gr queijo brie sem crosta
- 1/2 maçã Granny Smith
- 1 punhado de nozes picadas
- Sal
- Pimenta
Preparação
1. Numa taça colocar o puré de beterraba e juntar o caldo a ferver. Misturar bem.
2. No copo da bimby colocar o creme vegetal e a cebola picada e programar 5 minutos, T100, vel 1.
3. Colocar a borboleta e juntar o arroz, programar 4 minutos, vel. c. inversa, T 100º. a 1 minuto do final juntar o vinho.
4. Juntar cerca de 3/4 do caldo e programar 10 minutos, vel c. inversa, T 100º. Ir verificando se o liquido é absovido e juntar o restante caldo conforme seja necessário.
5. Juntar a maçã fatiada, reservando alguma para decorar, e o queijo e ervas. Envolver com a espátula e deixar repousar por um minuto.
6. Servir porções do risotto, polvilhar com as nozes e decorar com a maçã restante em juliana. Servir de imediato.




Su foi uma lição com aprendizagem que não vais esquecer concerteza, eu por norma não dou esmolas exactamente por não saber para onde vai o dinheiro sempre tive pena das pessoas que andam a pedir até ao momento que ofereci alimentos e ainda fui "insultada" não consigo esquecer e hoje não dou.
ResponderEliminarBeijinho
P.S. O risoto esta fantástico, essas nozes... :)
Mónica, pois eu compreendo o que queres dizer. Para mais se passaste por uma experiência dessas.
EliminarEu confesso que por vezes dou por mim a pensar se não usarei essa razão - extremamente válida a meu ver - como desculpa para um certo comodismo da minha parte... Enfim...
Mais do que uma história, uma lição de vida :)
ResponderEliminarInfelizmente há pessoas que realmente precisam e outras que pedem dinheiro para vícios.
A lição que aprendeste aprendi com o meu namorado, que não consegue passar por alguém a pedir sem lhe dar alguma coisa, principalmente se de um idoso se tratar.
Nunca me esqueci de estar a almoçar num centro comercial e uma criança(provavelmente romena) me vir pedir dinheiro a mim e aos meus amigos. Tentámos perguntar por gestos se tinha fome ao que ela disse que sim. Comprámos-lhe comida que o miúdo devorou em menos de nada. Devia estar esfomeado. Mas insistia em levar dinheiro.Percebemos que o pai ou alguém estava numa esquina uns metros à frente a controlar a situação e que o miúdo queria dinheiro para lhe levar.
Enfim, são situações que mexem connosco e não nos esquecemos!
Um beijo
( e o risotto está com um aspecto maravilhoso! ainda não me rendi à beterraba mas...ando a tentar :)
Pois é, e a verdade é que apesar de sabermos que muitas vezes o dinheiro vai mal entregue, como não conseguimos saber na realidade acabamos por dar... pois pode ser mal empregue, mas também pode ser bem.
EliminarAcredito que seja um risoto muito saboroso pois utilizo muitas vezes estes ingredientes combinados em salada. Por vezes o queijo é feta, e não brie, mas liga igualmente bem.
ResponderEliminarNunca sabemos quem está por detrás de um pedido de esmola. Nunca consigo recusar dar qualquer coisa principalmente se forem pessoas de idade. Acabo sempre por dar qualquer coisa que trago na marmita e, se não tiver nada, arranjo sempre uns trocos pois acho que a sociedade deveria ter mecanismos de ajudar aqueles que trabalharam uma vida inteira e chegam à velhice e se encontram de mãos vazias...
Nem mais Ondina... e como tens razão no que dizes.
EliminarSu, infelizmente são mais que muitas as pessoas que pedem dinheiro na rua... e eu não costumo dar e se desse a toda a gente que me pede, ficada eu sem dinheiro! Mas quando veem a minha porta pedir nunca vão de mãos vazias, dinheiro não dou, mas dou comida roupas. Sabes uma vez bateu-me a porta uma romena gravida, cheia de fome e dissse-me que não tinha roupa para vestir ao filho e o nascimento estava para dias. Tinha o meu filho ainda bebe, dei-lhe uma saco de roupa para o bebe e um saco cheio de fruta iogurtes, bolachas... Voltou umas semanas depois para me mostrar o bebe! E voltou a levar um saco de comida.
ResponderEliminarQuanto ao risoto deve ser uma delicia, bjs!
Felismina, de certeza que essa mãe se sente muitissimo agradecida a ti. Eu nem quero pensar na dor que seria querer vestir e alimentar o meu bebé e não ter como... :(
EliminarFoi uma belissima ação a tua :)
Ohhh... this is just gorgeus!
ResponderEliminarThank you so much :)
EliminarAdorei o teu risoto que cor linda e como eu adoro beterraba e a tua bonita história.. por vezes penso como tu. beijos
ResponderEliminarObrigada Marmita :)
EliminarSe adoras beterraba, vais adorar este prato ;)
Às vezes também penso como tu...Por vezes tenho receio que se estejam a aproveitar e nego a ajuda. Conheço casos que é mesmo assim, negam-se a trabalhar e preferem viver de esmolas. Mas há também quem precise mesmo de ajuda, e gosto de partilhar o pouco que tenho. Comida e roupa nunca nego!
ResponderEliminarUm risotto destes é que eu não recusava de maneira nenhuma, a sua cor vibrante e apelativa é linda!
É difícil saber o que fazer, dar ou não dar, mas não podemos esquecer que quem tem pouco não precisa apenas de comer e de se vestir. E é por isso que por vezes arrisco dar dinheiro mesmo não sabendo para o que vai ser usado. Porque até quem passa necessidades precisa de, por exemplo o cigarro que o camionista deu ao senhor dos cravos. Ou não têm também direito a momentos de prazer?? E se esse prazer vem de um cigarro quem somos nós para julgar.
ResponderEliminarCada vez mais vemos pessoas a pedir nos semáforos, estacionamentos, etc... é assustador... Normalmente dou comida, também já dei dinheiro, embora raramente, mas sinceramente custa-me ver pessoas com "bom corpo" para trabalhar e fazer essa figura... às vezes pelo justo paga o pecador...
ResponderEliminarGostei desse risotto, está com uma cor fantástica a fazer adivinhar o sabor!
Su...
ResponderEliminarEstou tocada com a tua história. OBRIGADA
Que lindo presente estou a receber de ti, a tua história relatada na primeira pessoa, têm uma cor que se reflectiu no requintado risotto que me preparaste.
Fiquei com uma lágrima a querer saltar-me do olho, revelaste-me uma humildade tocante, por isso te agradeço ainda mais.
Desculpa mas sinto que te devo dizer, do que venho a lendo no teu blog, incluindo os comentários, que sinto que fazes questão de cumprir uma regra básica:
"Sejam sempre humildes, bem educados e pacientes, suportando uns aos outros com amor"
Beijinho
Olá,
ResponderEliminarCompreendo perfeitamente a tua maneira de pensar, pq. também tenho dúvidas acerca de dificuldade (ou não) de quem está a pedir. Já ouvi muitas histórias acerca dessas situações, e cada vez mais, fico com o pé atrás. E quando se anda na rua diariamente e nos deparamos com as mesmas pessoas 2 ou mais vezes por dia... é complicado.
Parabéns pelo risoto, está lindo! E de beterraba confesso que nunca fiz.
Beijinho
Olá Su:)
ResponderEliminarHouve uma altura em que, cada vez que ía a qualquer hipermercado, não conseguia recusar ajuda às pessoas que lá estão a vender brindes para causas caridosas, o problema é que chega uma determinada altura e não é possível dar sempre, ou porque há dias em que vou a correr, ou não tenho trocos, ou simplesmente (e admito com muita vergonha) não quero... Mas tenho sempre em mente que devo fazê-lo e nessas alturas em que não dou fico sempre com um sentimento de culpa a moer-me...
Gostei muito da tua história, às vezes é preciso um "abre-olhos" para nos fazer ver que há certas insignificâncias que podem fazer uma grande diferença...
O teu risotto ficou mesmo vibrante, esse vermelhão ficou um espanto! Um dia também me vou atrever a usar assim a beterraba:D
Beijocas:)
Sou viciada na cor da beterraba, boa dica. Adoro o teu blog!
ResponderEliminarWww.levedar.com
Esse risoto ficou com uma cor bem bonita, parabéns
ResponderEliminarabraço
Daniel Deywes
http://feitonahora.blogspot.com
Também admito que sou meio assim Su. Mas apenas porque sei que algumas pessoas não precisam mesmo, ou o utilizam de forma menos util. Mas claro, há pessoas que pecisam mesmo.. e essas depois pagam pelas outras, como se costuma dizer. Mas com essa história, vou pensar mais vezes nisso.. de certeza. O teu risoto ficou lindissimo, cheio de cor.
ResponderEliminarSu,
ResponderEliminarAntes de mais...ai...que delicia beterrabas queijo e nozes, não me podias tentar mais!!
Sobre o Senhor dos Cravos, olha...felizmente pessoas a pedir esmolas é uma realidade que muito raramente vejo aqui. Aparece de vez em qd um jovem na estação de comboios, mas nota-se perfeitamente para onde vai o dinheiro. Há uma senhora estrangeira perto de um dos supermercados....
Crianças felizmente nunca vi, nem me parece que o estado permita que tal aconteça.
É uma das coisas que me faz não querer voltar a Portugal, a falta de apoio geral para quem mais precisa, a diferença cada vez maior entre quem vive "bem" e que apenas vai vivendo.
Um beijinho e bom fim-de-semana
Infelizmente torna-se difícil distinguir a necessidade real do esquema de mendicidade. Confesso que os romenos que andam a pedir por Lisboa tenho de resistir, mas a dar-lhe uma biqueirada na peidola. Por outro lado, já uma vez saí do emprego, meti os headphones e toca de descer a avenida. Um sem-abrigo pede-me algo e eu recusei com um aceno de cabeça. Quando ia a entrar no metro estaquei, pensando que tinha recusado uma simples esmola a um desgraçado que vivia na rua. Voltei atrás e despejei-lhe todas as moedas que tinha. Felizmente ainda não foi naquele dia que fiquei insensível de todo.
ResponderEliminarQuando andava na faculdade e me fartava de andar de metro pela cidade dava sempre quando eram pessoas idosas. Agora que os meus caminhos são outros é raro encontrar alguém a pedir na rua mas não consigo não dar alguma coisa em apelos para crianças ou animais em risco.
ResponderEliminarSuch gorgeous risotto...the beets provide a glorious color! I always question what is best when I see those begging, too...tough decisions at times.
ResponderEliminarO risoto está lindo e quanto à lição de vida não sei que te diga. Já vi tanta coisa que deixei de acreditar em pobres.
ResponderEliminarBeijinhos
PESSOAS A PEDIR É CADA VEZ MAIS UMA REALIDADE, UNS PEDEM POR NECESSIDADE OUTRAS PARA O VICIO.
ResponderEliminarNA VERDADE TAMBÉM NÃO COSTUMO DAR, POIS TAMBÉM FICO COM PÉ ATRAS.
ADOREI ESSE RISOTTO FICOU LINDO DEMAIS.
QUANTO AOS AROS DE ACETATO DA PRÓXIMA POREI FOTOS DE COMO FAZER.
MAS É ASSIM COMPRAS FOLHAS DE ACETATO NUMA PAPELARIA, CORTA A MEIO E DEPOIS ENROLAS PARA FORMAR UM ARO E FECHAS COM UM POUCO DE FITA COLA E DEPOIS DE USAR LAVA-SE E PODE USAR NOVAMENTE.
BOM FIM DE SEMANA
BJ
Arroz é uma dádiva, é mesmo uma Festa!
ResponderEliminarChegou o dia do primeiro aniversário e à mesa estamos 33... perdão, corrijo, estamos 34, com a minha prima Margarida que trouxe o ingrediente para fazermos toda esta!
E, decerto que não nos importamos de partilhar com cada um que nos visite!
Se alguma dúvida havia sobre a festividade que o arroz encerra ela ficou completamente dissipada com esta festa. Ver chegar cada uma das participações foi também uma confirmação de dádiva, que agradeço com um rasgado sorriso.
Obrigada, nunca é demais repetir, por partilharem as vossas histórias, por trazerem o vosso arroz e estarem aqui comigo.
Não tenho a noção de quando tempo teremos estes momentos de partilha, não estou inquieta com isso, mas quero que saibam que o balanço deste ano inesperado aqueceu-me o coração e fez-me sentir grata por cada um de vós.
A ordem que aqui colocarei as participações será a ordem de chegada, creio não me estar a esquecer de ninguém - sintam-se completamente à vontade para o referirem , se tal lapso acontecer.
E, por favor sirvam-se… partilhem e saboreiem cada momento neste momento.
A festa é nossa!
Vamos, está quase na meia noite, vamos lá saborear todas estas iguarias!
http://obolodatiarosa.blogspot.pt/2012/04/arroz-e-uma-dadiva-e-mesmo-uma-festa.html